Sustentabilidade absorve mais de um terço do investimento empresarial em inovação em Portugal

A sustentabilidade deixou de ser uma dimensão complementar da inovação para se afirmar como um dos principais motores do investimento empresarial em Portugal. Os dados divulgados no Painel das Atividades de Inovação e I&D nas Empresas, publicado pelo Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) do Ministério da Economia, revelam que 35,7% da despesa empresarial em inovação corresponde já a atividades com benefícios ambientais diretos, representando um investimento superior a 1.209 milhões de euros.
Este indicador evidencia uma transformação estrutural na forma como as empresas portuguesas encaram a inovação. A sustentabilidade, a digitalização e a Investigação e Desenvolvimento (I&D) assumem hoje um papel central na definição das estratégias de crescimento, refletindo igualmente a orientação das políticas públicas nacionais e europeias para uma economia mais competitiva, resiliente e sustentável.
A SUSTENTABILIDADE CONSOLIDA-SE COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE
Os resultados publicados pelo GEE demonstram que os investimentos orientados para benefícios ambientais deixaram de representar iniciativas pontuais para passarem a integrar a estratégia de inovação das empresas.
Em 2022, a despesa total em atividades de inovação ascendeu a 3.382,4 milhões de euros, um crescimento de 23,6% relativamente a 2020. Desse montante, mais de um terço foi direcionado para projetos com impacto ambiental positivo, evidenciando uma crescente integração de critérios de sustentabilidade nas decisões de investimento.
Esta evolução acompanha uma tendência já observada à escala europeia, onde a transição climática deixou de constituir apenas um objetivo regulatório para assumir um papel determinante na competitividade empresarial, na criação de valor e na capacidade de acesso a financiamento.
AS GRANDES EMPRESAS CONTINUAM A LIDERAR A INOVAÇÃO
Embora a inovação esteja cada vez mais disseminada no tecido empresarial, os dados evidenciam diferenças significativas em função da dimensão das empresas.
Entre as organizações com 250 ou mais trabalhadores, a taxa de atividade inovadora atinge 79,1%, confirmando que as empresas de maior dimensão continuam a concentrar uma parte substancial do investimento em Investigação e Desenvolvimento, transformação digital e modernização tecnológica.
Ao nível setorial, as atividades de Informação e Comunicação apresentam a maior taxa de inovação (71,2%), seguindo-se o setor financeiro e segurador (65,6%). Estes indicadores demonstram que a inovação tecnológica continua a desempenhar um papel decisivo na transformação da economia portuguesa e na criação de vantagens competitivas sustentáveis.
AS POLÍTICAS PÚBLICAS ESTÃO A ACELERAR A DUPLA TRANSIÇÃO
A evolução observada nas empresas portuguesas resulta também do reforço das políticas públicas orientadas para a inovação, sustentabilidade e digitalização.
Entre os principais instrumentos destacam-se as Agendas Mobilizadoras e Verdes para a Inovação Empresarial, financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que promovem projetos colaborativos entre empresas e entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional. Estas iniciativas procuraram acelerar o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas, reforçar a capacidade produtiva nacional e aumentar a competitividade da economia portuguesa.
Paralelamente, a Rede Nacional de Polos de Inovação Digital (Digital Innovation Hubs) tem vindo a desempenhar um papel relevante na disseminação de tecnologias emergentes junto das empresas, facilitando a adoção de soluções de Inteligência Artificial, cibersegurança, computação avançada e análise de dados.
Em conjunto, estes instrumentos demonstram que a transição verde e a transformação digital estão cada vez mais interligadas, constituindo dois pilares fundamentais da política industrial portuguesa e europeia.
A INOVAÇÃO SERÁ O PRNCIPAL DIFERENCIADOR DA PRÓXIMA DÉCADA
Os indicadores agora divulgados pelo GEE confirmam uma tendência estrutural: a inovação sustentável deixou de representar apenas uma resposta às exigências regulamentares e passou a constituir um fator crítico de competitividade.
Esta realidade encontra-se igualmente refletida nos principais programas de financiamento nacionais e europeus, que continuam a privilegiar projetos capazes de combinar inovação, digitalização, sustentabilidade, descarbonização e criação de valor económico.
Para as empresas, a capacidade de desenvolver projetos alinhados com estas prioridades será determinante não apenas para reforçar a competitividade, mas também para maximizar o acesso aos instrumentos de financiamento disponíveis nos próximos anos.
UM MOMENTO PARA PREPARAR A PRÓXIMA GERAÇÃO DE PROJETOS
Os dados apresentados demonstram que a inovação empresarial em Portugal está a evoluir para modelos cada vez mais orientados pela sustentabilidade e pela incorporação de tecnologia.
Num contexto de crescente exigência competitiva e de transformação dos mercados, preparar projetos de investimento alinhados com estas prioridades permitirá às empresas responder de forma mais eficaz às futuras oportunidades de financiamento e reforçar a sua posição num ambiente económico em constante mudança.

