Empresas portuguesas reforçam o investimento em I&D no exercício fiscal de 2025

O investimento empresarial em Investigação e Desenvolvimento (I&D) continua a afirmar-se como um dos principais motores da competitividade da economia portuguesa. Os dados preliminares do exercício fiscal de 2025 do Sistema de Incentivos Fiscais à Investigação e Desenvolvimento Empresarial (SIFIDE), divulgados pela Agência Nacional de Inovação (ANI), demonstram que as empresas mantêm uma aposta consistente na inovação e continuam a recorrer a este instrumento para apoiar os seus projetos de I&D.
Face ao exercício fiscal de 2024, registou-se um crescimento do número de candidaturas recebidas, do investimento declarado e do crédito fiscal solicitado, evidenciando uma utilização crescente do SIFIDE por parte das empresas.
PRINCIPAIS INDICADORES | EXERCÍCIO FISCAL DE 2025
Embora estes dados correspondam às candidaturas recebidas e não aos resultados da avaliação, revelam uma tendência clara: as empresas continuam a integrar a Investigação e Desenvolvimento nas suas estratégias de crescimento, reconhecendo a inovação como um fator determinante para aumentar a competitividade, desenvolver novas tecnologias e responder aos desafios dos mercados.
O INVESTIMENTO EM I&D CONTINUA A CRESCER
Os dados do exercício fiscal de 2025 demonstram que o crescimento não se limita ao número de candidaturas. O investimento declarado ultrapassou os 2,35 mil milhões de euros, representando um aumento de cerca de 220 milhões de euros face ao exercício anterior, enquanto o crédito fiscal solicitado cresceu cerca de 10,1%.
Esta evolução demonstra um reforço do investimento empresarial declarado em Investigação e Desenvolvimento, num exercício em que aumentaram simultaneamente o número de candidaturas recebidas e o montante global de investimento associado.
Ao mesmo tempo, o investimento médio declarado por candidatura manteve-se relativamente estável, passando de 662,4 mil euros em 2024 para 648,5 mil euros em 2025. Apesar do forte crescimento do número de candidaturas, a dimensão financeira média dos projetos manteve-se, assim, próxima da registada no exercício anterior.
UMA DINÂMICA TRANSVERSAL AO TECIDO EMPRESARIAL
A evolução observada distribui-se por empresas de diferentes dimensões, confirmando uma participação alargada do tecido empresarial português no SIFIDE.
As Não PME registaram o maior crescimento no número de candidaturas, passando de 1.738 para 2.045, um aumento de cerca de 17,7%. Também as pequenas e médias empresas reforçaram a utilização do SIFIDE, com aumentos de 8,8% e 7,9%, respetivamente, enquanto as microempresas registaram uma evolução mais moderada, de 214 para 219 candidaturas.
Esta evolução mostra que o crescimento das candidaturas ao SIFIDE em 2025 se verificou em empresas de diferentes dimensões, embora com particular expressão entre as Não PME.
O SIFIDE MANTÉM UM PAPEL ESTRATÉGICO NO FINANCIAMENTO DA INOVAÇÃO
Num contexto marcado pela transformação digital, pela inteligência artificial, pela descarbonização da economia e pela crescente pressão competitiva internacional, a capacidade para investir em Investigação e Desenvolvimento assume uma importância crescente.
Neste enquadramento, o SIFIDE continua a desempenhar um papel central no financiamento da inovação empresarial, complementando outros instrumentos de apoio, como o Portugal 2030, o Horizonte Europa e a iniciativa STEP. A articulação entre incentivos fiscais e programas de financiamento permite reduzir o esforço financeiro associado às atividades de I&D e criar melhores condições para desenvolver projetos de maior impacto tecnológico.
Mais do que um mecanismo de benefício fiscal, o SIFIDE constitui hoje uma ferramenta estratégica de planeamento do investimento em Investigação e Desenvolvimento, permitindo às empresas estruturar projetos de inovação com maior previsibilidade e sustentabilidade financeira.
UMA TENDÊNCIA QUE REFORÇA A COMPETITIVIDADE DAS EMPRESAS PORTUGUESAS
Os dados preliminares do exercício fiscal de 2025 confirmam um reforço do investimento empresarial declarado em Investigação e Desenvolvimento. Ainda que as candidaturas se encontrem em fase de avaliação, os indicadores disponíveis mostram um crescimento de 12,7% no número de candidaturas recebidas, de 10,3% no investimento declarado e de 10,1% no crédito fiscal solicitado face ao exercício fiscal de 2024.
Num contexto económico cada vez mais orientado para o conhecimento, a capacidade para transformar investigação em novos produtos, processos e tecnologias continuará a ser um dos principais fatores de diferenciação e criação de valor para as empresas portuguesas.
Fonte dos dados
- Agência Nacional de Inovação (ANI) – Dashboard SIFIDE (exercícios fiscais 2015–2025)

